Texto extraído de "Para além do bem e do mal", página 137, de Nietzsche, e sim... foi pq eu lembrei desse livro ao conversar com um colega, e por causa do blog dele também...
"As nossas virtudes
Nossas virtudes? É possível que também nós tenhamos nossas virtudes, conquanto obviamente não sejam aquelas virtudes ing~enuas e robustas por amor das quais honramos, mas também afastamos de nós os nossos avós.
...
Há coisa mais bela do que procurar as próprias virtudes? Isso já não quer dizer quase acreditar na sua própria virtude?
Pensando bem, "acreditar na sua virtude" não será, lá no íntimo, o mesmo que no passado se chamava a "boa consciência", esse venerável e comprido rabicho feito de conceitos que os nossos avós penduraram na parte de trás da cabeça e, muitas vezes, também na da sua razão? Parece pois que, por menos que nos julguemos antiquados e ancestralmente honrados, há uma coisa em que continuamos a ser os dignos netos desses avós, nós os últimos europeus (eu não) de boa consci~encia, pois também usamos ainda o seu rabicho. Ah! Se soubésseis quão depressa, quão depressa e urgente tudo vai mudar!"
Eu tenho uma simpatia natural por ele... o Nietzsche... acho que ele tem muitas coisas a serem consideradas, até onde eu não concordo eu gosto.
E acerca das virtudes... nunca ninguém falou pra eu ser uma mulher virtuosa, ou que eu teria alguém virtuoso na minha vida... (Esqueçam Malmsteen)...
Na verdade, acerca das coisas e conceitos mais importantes, ninguém nunca parou pra sentar comigo no banquinho, olhando o entardecer e me falando o que é bom, o que é certo e o que é errado. Tava sempre tudo nas entrelinhas, e nas entrelinhas da inconsciência eu anotei. Diferente do que eu li em algum lugar hoje... não acho que o que tá na inconsciência dorme, acho que ela tá vívida em cda palavra nossa...
Ninguém antes, jamais, me falou acerca da beleza e das virtudes de ser um universo, de haver um sol em cada vida. E da importância de minhas próprias virtudes e nem que eu deveria averigüar as virtudes dos outros. Virtude por si só, é uma palavra que encanta. Não sei se eu quero ser virtuosa, não sei se sou. Mas não acredito que alguém que "tenha consciência da própria virtude", possa ser cheio dela.
Nenhum comentário:
Postar um comentário