9.5.08

A velha questão

Eu sou nada.
nada.
Sobre todas as questões do ser ou não ser, ficamos pensando no que significamos sem imaginar o que realmente somos, talvez eu não signifique a mim mesma o que sou, mas eu certamente demonstro quem sou.
Todos somos medo, mas nem por isso deixamos de demonstrar o que somos.
Eu sou a meia dúzia de livros que li, as músicas que ouvi e sou também a ansiedade das que ainda vou ouvir, a ansiedades dos filmes que vou ver.
Somos muito medo... medo demasiado... medo de ficarmos a sós com o nosso eu, esse eu tão vazio e tão destituído de sensibilidade com o outro. Algumas atrocidades só são atrocidades quando se referem a nossa pele, determinadas coisas só fazem nossos pêlos arrepiarem quando são nossos familiares, carne da nossa carne ou aqueles que estão dentro da fraca bolha que envolve o nosso amor.
Nossas reações em relação à dor do outro são mínimas quando elas acontecem na nossa pele, nossa falta de sensibilidade com a dor do outro é grotesca.
Somos grotescos, escandalizamos e dissecamos o mal e gostamos disso de dizer o que é ruim. A gente aborda pra contar a desgraça, a felicidade a gente não conta, a gente tem medo que ela seja roubada.
Nossas ações são baseadas no medo, e esse medo cega sem que reconheçamos que precisamos melhorar, que precisamos criar olhos que vejam o que está além, além da nossa curta e fraca visão.
Precisamos reconhecer a vontade e a capacidade de mudança, é preciso mudar, todo dia, toda hora. É preciso calar, calar aquela palavra que se lançada não poderá ser apagada com qualquer pedido de desculpa, precisamos policiar nossa forma de olhar, até nossa forma de amar.
Precisamos ter mais cuidado com os outros, e ter menos medo. Esquecer o medo de ficar sozinho. Quando ficamos sozinhos nos melhoramos, aguçamos nosso paladar da alma para que quando estivermos de volta a presença de outros a gente possa sentir o gosto, tratar melhor, falar melhor, assim como quem abandona um doce, um gosto bom por um tempo pra que ele volte a ter um gosto especial.
Talvez se nos abandonássemos de vez em quando não haveria tanta gente machucada por aí, consequentemente... não haveria tanto medo.

Um comentário:

Jannice Dantas disse...

Paty precisamos mesmo esquecer o medo de ficarmos sozinhos, pq sozinhos não somos nada nem ninguém. Pode parecer piegas mas juntos somos fortes, somos muitos.